Reforma trabalhista para quem? (Parte 3)
Uma breve crônica, parte três 2016: o ano em que o Brasil parou. Por incrível que pareça, o espetáculo paralisante não foram os até então esperados “Jogos Olímpicos Rio 2016”. Muito menos a Copa do Mundo de futebol, organizada pela FIFA, que só ocorreria dois anos depois. O espetáculo que parou o Brasil foi político. E foi um espetáculo midiático. Certamente, aquele jargão polêmico tornou-se bem verdadeiro: “nunca antes na história deste país” a TV Câmara e a TV Senado tiveram tanta audiência. O impeachment rendeu picos de audiência pública na TV, registrados pelo Ibope. O país estava politizando-se em progressão geométrica, mas a pauta central que movimentava os bastidores do mundo político – a correlação entre recessão econômica e crise institucional – ainda parecia periférica nos diálogos corriqueiros do cidadão comum, pois o que catalisava a atenção das massas era a repulsa à corrupção generalizada, que politizava as conversas de botequim por meio do sentimento de aversão à...